
Estou em Lisboa, ontem ouve um sismo. Estava deitada na cama e senti os ferros a bater contra a parede, os objectos a abanar, com uma fragilidade atroz. Pensei em 1756, um dia esta cidade vai ser engolida debaixo de água e não terra, como se de um sonho apocaliptico se tratasse, apenas para relembrar que nada é definitivo, por um lado, e que tudo é cíclico, por outro.
E pensei em ti, porque é assim que me fazes tremer, como um abismo aberto sob o mar. Como uma fúria acesa pelo sal. Como uma visita rompe e ruge.
Não tive medo.
